quarta-feira, 17 de junho de 2026

No Code do Pearl Jam em minhas lembranças

Hoje vi, em uma página do Instagram, uma pessoa ranqueando as músicas do álbum No Code, do Pearl Jam. A lista com as 13 músicas foi organizada de acordo com o gosto pessoal da moça responsável pelo perfil. No vídeo, as músicas vão surgindo na sequência do disco e ela vai revelando a posição de cada uma. De cara, me chamou atenção perceber que ela classificou Sometimes como a décima segunda colocada, ou seja, a penúltima 0_0 Mas aquela era a lista dela, e não a minha.

Após isso, as músicas seguem aparecendo e ela vai classificando cada uma delas. Foi então que percebi o quanto esse disco foi - e ainda é - importante para mim.

O quarto disco deles, lançado em 1996, foi o primeiro disco do Pearl Jam que eu comprei. Sim, isso mesmo. Vale registrar que o Ten, álbum de estreia da banda, eu tenho desde o lançamento, porém não o comprei, mas sim tomei do Paulo Cabeça.

Pois bem, voltando ao No Code...

Na época, vi uma crítica em alguma revista dizendo que o Pearl Jam tinha lançado um disco diferente dos dois trabalhos anteriores (Vs. e Vitalogy) e resolvi descobrir qual era essa tal diferença. Suspeito que eu não tinha nada em que me basear para imaginar a sonoridade do novo trabalho, haja vista que, na época, o PJ seguia sem lançar videoclipes e sites com streaming eram algo de um mundo desconhecido do futuro. No planeta em que vivíamos, a música era consumida em CDs, vinis ou rádio.

Havia uma loja em um shopping que era o único lugar onde se encontravam as grandes novidades do rock. O shop era distante e, na semana em que fiquei sabendo que eles já estavam com o disco, a Adelana comentou comigo que iria até lá. Foi das mãos dela que recebi o No Code. Ouvi o disco algumas vezes e o guardei. Guardei por alguns meses. O álbum não me agradou de imediato.

Após esses meses de mofo, resolvi dar uma segunda chance ao CD e, enfim, veio o arrebatamento. As treze canções se transformaram, ganharam força e forma.

Gosto de lembrar dessa época, de como tudo foi se moldando, daquela Adelana que me entregou o disco e que, anos mais tarde, tatuou um trecho da letra de Hail, Hail na pele. Gosto de recordar das tantas revistas das quais fui assinante e da forma como elas ajudaram a moldar algumas das minhas escolhas e gostos. Da execução de Off He Goes no violão por uma pessoa quando eu e Adelana fizemos nossa primeira viagem para fora do estado, provavelmente em 97 ou 98, para o Piauí.

Gosto de lembrar também de anos mais à frente, quando Around The Bend se transformou na canção de ninar que surgia em minha cabeça enquanto eu colocava Pablo para dormir.

Gosto de lembrar de tudo que envolve esse disco, e perceber que Off He Goes é a única musica do PJ que me vejo a cantar em um karaoke da vida.

Gosto de ouvi-lo. De quando ele me pergunta quem eu sou. Da forma triste como me faz perceber que, às vezes, os amigos não conseguem nos ver. Gosto da maneira como ele me fala para aproveitar o momento presente, do quão grande é Deus e de que devo andar na linha, pois o diabo está rodeando, à espera.

Gosto da magia do destino que foi ter recebido esse álbum das mãos da Adelana e justamente nele estar a “nossa” canção.

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