segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Histórias Proibidas Para Nervosos, livro atual

 Na sequência das anotações dos livros que li, chega a vez de Histórias Proibidas Para Nervosos, um livro que reúne pequenos textos policiais e de suspense de diversos escritores. O grande destaque na capa é que os contos foram escolhidos por Alfred Hitchcock.

Antes de falar sobre o que está dentro do livro, tenho que contar como ele chegou até mim. Afinal, essa série de registros que estou fazendo também serve para isso: guardar um pouco da história que está contada no livro, mas também registrar como eu estava na época e como o livro despertou em mim a vontade de lê-lo.

Ganhei um DVD da Cássia Eller de uma página do Instagram. O prêmio veio pelos Correios. Eis que, dentro da caixa, estava junto o livro. Achei estranho aquilo e comentei com a página, imaginando que tivesse sido um erro.

Eles me explicaram que, por uma loucura burocrática, o envio somente com o DVD, por causa do peso, acaba sendo classificado de uma forma. Se aumentar um pouco mais o peso, ele “muda de categoria” e o valor a pagar pelo envio fica mais barato. Então, a pessoa responsável pela página prefere enviar um livro junto e ver a taxa diminuir. :)



E foi assim que ele chegou até mim.

Iniciei a leitura no mesmo dia em que terminei Na Natureza Selvagem, livro que, por sinal, foi o pontapé inicial desta série que estou escrevendo. Eu estava em Icaraizinho de Amontada, passando alguns dias de muito descanso, com o clima oscilando bastante entre chuva e sol.

 

E foi justamente durante a leitura dos contos deste livro que me dei conta do quanto o esquecimento pode afetar algumas histórias que passaram pela minha vida.


Explico: ao ler histórias policiais que envolviam investigação, me veio à lembrança um dos livros de que mais gostei de ler: Os Sete Minutos, de Irving Wallace. Um romance que tem como tema principal uma questão judiciária, com forte apelo investigativo e várias reviravoltas.


E não, eu não lembro muito dos detalhes. E é justamente por isso que este texto, este registro, é importante.


Histórias Proibidas Para Nervosos foi um bom passatempo. Algumas histórias me prenderam bastante, outras nem tanto. São 13 contos ao todo.
O destaque, para mim, foi Henry Lowden, Ou Melhor, Henry Taylor, de Helen Nielsen.






Li o livro entre maio e agosto de 2026.



Leia também:
Dias Espciais
Calmo e Agito de um Zumbido

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

11 de Setembro de 2001

 11 de setembro de 2026. Hoje completam 25 anos do atentado às Torres Gêmeas, em Nova York. Eu me recordo do que estava fazendo naquela manhã de terça-feira, rodeado de cartas que recebia de pessoas que curtiam o Pearl Jam. Em tempos em que a internet e o MSN ainda não eram de fácil acesso, e a rede social Orkut ainda nem tinha sido criada, as revistas eram uma das pontes entre os fãs, que trocavam informações e materiais. Foi nessa época que conheci muita coisa do lado B da banda, como os singles lançados exclusivamente para o fã-clube. Eu costumava passar a manhã sozinho em casa, e a rotina de ouvir música e assistir à televisão era uma repetição que não cansava. A única dúvida que tenho é se vi ao vivo o choque do segundo avião. O restante dos acontecimentos daquele dia, como a queda das torres, vi tudo pela televisão. Lembro que liguei a TV e percebi que a programação estava diferente. A sensação de alerta era clara. Mudei o foco do que estava fazendo e passei a tentar entender o que estava acontecendo. Fiquei mudando os canais e tudo era o mesmo assunto. Acho que apenas o SBT não estava transmitindo.



Vale deixar registrado que, semanas antes, a imprensa brasileira tinha se debruçado sobre outro assunto por horas: o sequestro de Silvio Santos, quando todas as emissoras montaram campana na frente da casa do empresário, onde ele estava sendo mantido pelo sequestrador.



No mesmo dia, meu pai me contou como ficou sabendo do ocorrido. Ele estava no trabalho, com o rádio a pilha ligado na AM, quando ouviu que um avião tinha se chocado com um edifício nos Estados Unidos. O locutor acrescentou a informação de que o prédio já tinha sido muito usado em filmes. Meu pai disse que repetiu as mesmas palavras do locutor para os colegas de trabalho. Minutos depois, falou em voz alta, com espanto: “Outro avião se chocou em outro edifício.” As pessoas ao redor ficaram duvidando da notícia. De início, acharam que era uma brincadeira dele. De fato, era algo inimaginável e difícil de acreditar. E olha que ele nem citou os outros dois aviões sequestrados, que acabaram caindo em outros locais.



O que mais se falava durante a transmissão do atentado, principalmente após a queda das torres, era que o mundo não seria mais o mesmo a partir dali. E foi isso que aconteceu. Naquele momento, era nítida a gravidade do acontecido. Primeiro, os dois aviões comerciais se chocando contra as torres. Em seguida, o efeito dominó: o terror ao ver algumas pessoas se jogando dos prédios e, pouco depois, as torres caindo, uma após a outra. Talvez alguns não tivessem a clareza do tamanho do fato histórico que estava bem diante dos nossos olhos. E sim, o mundo mudou muito. De imediato, veio uma guerra. Ou melhor, uma perseguição. A partir dali, vários povos do Oriente Médio foram “oficializados” como pessoas ruins, e não só nos Estados Unidos. Novas proibições e regras na aviação foram implantadas, assim como em outras áreas de locomoção e trabalho.



Os dias após o atentado foram de muito pânico, principalmente nos Estados Unidos e nos países aliados. As imagens das torres sendo atingidas e indo ao chão eram repetidas em todos os telejornais, sem esquecer os vídeos amadores, com os mais variados ângulos e reações, que surgiam sem parar. Não podemos esquecer que tudo ocorreu em uma das principais cidades do mundo, onde o fluxo de pessoas a trabalho ou viajando é muito alto. Uma cidade que não dorme e não deixa dormir, mas que, em um dia, parou. E da pior forma.



O mundo mudou após o 11 de Setembro. A impressão que dá é que houve uma aceleração em alguns segmentos, principalmente na tecnologia e na comunicação. Em paralelo a tudo isso, novas e mais novas regras. 



Durante um bom tempo, o atentado dominou as rodas de conversa. A pergunta clássica “o que você estava fazendo na hora em que os aviões bateram?” era uma das mais repetidas. Olhando para trás agora e lembrando de tudo que veio depois, percebo que o atentado é, sem dúvida, um dos grandes acontecimentos deste século. Provavelmente, o maior.




P.S.: O mentor do atentado foi capturado e morto dez anos após o ocorrido.

sábado, 29 de agosto de 2026

Dias úteis X Fim de semana

"Eu não me importo se a segunda é triste
A terça é cinzenta e a quarta também
Na quinta, eu não me importo com você
É sexta-feira, eu estou apaixonado”


Tradução livre de um trecho da música Friday I'm in Love, da banda The Cure. Por essa parte da música, fica claro o desespero emocional do personagem na canção por um dia na semana. A ouvi em uma entediante terça e fiquei pensando na questão do tempo que corre pelas nossas mãos enquanto estamos no aguardo da grande novidade.
Os dias que antecedem algo que está marcado em nosso calendário como sendo incrível tendem a ser apenas uma ponte. Algo que não será lembrado. Um ritual de passagem apenas. O importante está logo mais à frente.

Ainda no tema da semana, não é difícil achar em letras musicais essa loucura pela chegada do fim de semana. Dias de feira que se lasquem, tirando o “sextou”, óbvio. Of course, como toda regra, há exceção, pelo menos de forma maquiada. Veja esse exemplo: a velha afirmação de que a segunda é o dia da preguiça, vem perdendo força ao longo do tempo. Existem os que usam a porta de entrada dos dias úteis como preparação ideal para o fim de semana. Tem que servir pra algo, né?

A segunda-feira costuma ser o dia do início para tudo: dia da inscrição na academia, dia da dieta ou da organização financeira, tudo visando um sábado à noite perfeito, como não?
E como reclamar disso, hein? Sábado e domingo, até pra trabalhar, são bons, até porque se cobra mais caro pelo serviço. Gregos e troianos mostram a cara após os dias cinzentos da semana e, com isso, a tal lei da procura e da oferta opera sem dó.
Praia pra quem é de praia, serra pra quem é de serra, shopping pra quem é de shopping e por aí vai, abarrotando de praças a estradas, de teatros a parques. Estão todos in love, como diz na música. Nem o mão de vaca escapa à tentação.

De fato, são dias inspiradores. Este texto, por exemplo, desde o início da semana tentava desenvolvê-lo, e foi necessário o ar boêmio que sopra na cidade após as 18 horas da sexta-feira para enfim dar sequência à sopa de palavras.
A preguiça rasteja em alguns dias para enfim trocar a pele, ganhando uma nova, cheia de cores e esperança. Vale lembrar que a janela das oportunidades se escancara no fim de semana.
Aquele trajeto ao ar livre em dias de feira costuma torrar a cuca. A mesma caminhada no fim de semana é sinônimo de vitamina D e endorfina, e o suor, que antes era incômodo, é sempre bem-vindo no sábado e domingo, pelo menos na bolha esportiva, pois costuma ser exibido como medalha em postagens nas redes sociais.

Por fim, os dias da semana são sim divididos - não tão bem, vale deixar registrado. Os dias de feira são cansativos, às vezes nublados, mas nada que um sábado e domingo não consigam levantar a poeira.
Para apaziguar as ideias e deixar de lado esse pensamento de atrito entre os dias, fica claro que tudo é perfeitamente encaixado: um morde e assopra. Um depende do outro.

A única coisa que ninguém merece é o tédio de um domingo à noite.



sábado, 22 de agosto de 2026

O novo supermercado

Moro em uma pequena cidade litorânea. Na verdade, nem esse status ela tem. O lugar em questão carrega o acanhado título de Distrito. Costumo dizer que é como se fosse um bairro de uma grande cidade, inclusive com a possibilidade de estar distante da Sede/Centro. Vale registrar que esse tal distrito à beira-mar carrega em suas demarcações a principal fonte de renda de todo o município: O Porto - que, por sinal, é o maior do estado em operação.

Apesar da arrecadação generosa, o lugar que já foi vila de pescadores se desenvolveu a duras penas, claro que a grande empresa ajudou muito nesse desenvolvimento, pois abocanhou parte da mão de obra vinda de filhos desse projeto de cidade, porém o Porto é importante demais para dividir a atenção politica do poder público com qualquer outra coisa, e com isso o lugar cresce em uma velocidade não compatível com o potente motor.

Ontem o distrito ganhou mais um supermercado, e agora conta com três. Pelo jeito os outros dois não estavam suportando atender os nativos, turistas e trabalhadores das empresas instaladas no Porto (chamados carinhosamente de ‘peões’ pela população). O novo empreendimento foi recebido com festa. Os longos dias de espera pela inauguração foram uma agonia para muitos, a ansiedade reinava nas conversas de rua. “Quando vamos poder enfim ter um mercado que preste?”, era uma das reclamações, misturando sentimentos de esperança, ingratidão, desprezo, expectativa e denúncia. O aguardo realmente foi duro, o prédio foi levantado do zero.

Sábado foi o dia da semana escolhido para a inauguração. Antes das 7 da manhã, várias pessoas se aglomeravam em frente ao estabelecimento, olhos curiosos e sedentos por promoções, alguns seguraram as compras da semana para poder viver esse grande momento. Atenção total em algumas prateleiras que conseguiam enxergar dali, do lado de fora, como uma saborosa televisão de cachorro, entupida de galetos cheirosos, daqueles irrecusáveis num domingo ao meio-dia. Um enorme portão dividia a agonia dos consumidores de um lado com a dúvida e medo dos novos funcionários do outro. “Será que vou conseguir manusear o caixa direito, e se eu errar a contagem de algum dinheiro?”, essa deveria ser uma das aflições. Junto aos nervosos funcionários estavam alguns criadores de conteúdo, esses com certeza em festa, estavam diante de tudo que eles sonham: evento, multidão, novidade e um crachá lhe proporcionando livre vai e vem. Tudo estava preparado, mas o relógio parecia não andar, o locutor repetia insistentemente as mesmas frases, o sorriso fácil no rosto dos influencers ao olhar para a câmera do celular, o suor em cada rosto que se espremia no portão que seguia fechado.

Enfim chegou a hora, a fita vermelha foi cortada seguida de aplausos e fogos de artifício perigosamente soltos próximo à multidão que se agitava em gritos de euforia. O portão aberto e a partir daquele momento o que se viu foi uma série de acontecimentos interligados que vírgula alguma conseguiria separar: as fileiras foram ocupadas por carrinhos novos que deslizavam suavemente com os produtos sendo colocados quase que sem pensar se seriam necessárias depois de todo aquele esforço do corre-corre carregando o carro junto das crianças que se moviam pelo corredor atrapalhando as lives que os criadores de conteúdo faziam mostrando o ambiente e as promoções para quem acompanhava tudo de casa com vontade louca de ir pra lá e aproveitar tudo que o novo mercado estava a proporcionar com a promessa de preços baixos e produtos de qualidade. Ufa! Foi uma loucura, porém com o conforto do ar-condicionado.

O dia seguiu com o prédio sempre ocupado - “de onde saiu tanta gente?”, vira e mexe alguém se questionava. Um sábado de multidão pelas ruas do distrito, que agora eram também ocupadas pelos carrinhos de compra do supermercado. Brotaram relatos de pessoas que viam os carrinhos com mercadorias sendo carregados nas vias próximas. A multidão pelo jeito queria esvaziar o novo mercado.


A noite chegou, com ela o horário de acabar o expediente e clarear alguns problemas do novo empreendimento: caixas espalhadas na rua, caminhões da empresa descarregando novos produtos para o dia seguinte, prejudicando o sono tranquilo dos moradores próximos. O progresso mostra suas armas, viola os bons costumes, bate de frente com a saúde física e mental, vende o sonho perigoso que está oferecendo algo necessário sem ser.

O supermercado foi inaugurado. Agora é a vez do dia seguinte.

sábado, 15 de agosto de 2026

(re)iniciando os artigos semanais

Sempre tive uma inveja branca de quem consegue escrever artigos semanais sobre diversos assuntos. Viu, viveu, sentiu ou sei lá o que mais? Vira registro de fácil leitura. Tudo conta e vira histórias. Outro dia, uma pessoa me disse que eu deveria, sim, pensar no assunto, me debruçar sobre a tela branca e escrever sobre temas livres. É quase um cheque em branco que ela me passou. Levei o conselho como um baita elogio e cá estou eu, (re)iniciando algo que provavelmente não conseguirei manter por muito tempo. E digo isso não por achar que faltará assunto, mas sim por saber que a mente escreve mais rápido que a mão, e isso atrapalha a magia do improviso da primeira vez. Esse texto, por exemplo, já ganhou umas quatro versões, todas elas no pensamento. Tenho que ir devagar com a dor, que o Santo é de barro. Ontem mesmo, dia 11 de agosto, pensei em contar a história que vivi quando estudava na escola (de nome 11 de Agosto). Eu deveria ter uns 6 anos ou menos e ficava sempre a esperar meus pais irem me buscar no colégio. Um belo dia, após uma longa demora deles, percebi que era o único aluno trancafiado no portão da escola. Resolvi, então, aguardar o momento de descuido da “Tia” e ganhar o mundo. Quer dizer, a ansiedade atormenta as mentes humanas desde a infância. Saí do colégio e fiz o trajeto até em casa. Na rua, todos me olhavam. Eu me sentia importante, na minha cabeça, caminhava triunfante como um adulto, porém no corpo de um pivete. Cheguei em casa e não tinha ninguém lá. Mais uma vez, estava diante do portão fechado. Um tempinho depois, meus pais chegaram. Até hoje aguardo os cumprimentos deles pelo feito que realizei. Houveram palmas, mas não de parabéns. Tem outras lembranças daquela escola, mas isso vou aguardar para o próximo 11 de agosto.

Esse texto é o pontapé do projeto. Resolvi batizá-lo como ‘(re)iniciando os artigos semanais’ - apesar de que já me aventurei por esse caminho antes - e tenho que admitir que, por um breve momento, pensei em ‘Piloto’, mas daí me toquei que seria muita pretensão e cafonice da minha parte. A falta de criatividade começa antes da primeira linha, pois o nome é bizarro. Socorro! Por falar em Socorro, o artigo semanal da Acioli na Folha de São Paulo ganhou um nome interessante: “Chico Buarque em Paris e a pior dor de barriga da minha vida”. Como não ter curiosidade para ler algo com essa isca? O artigo dela passeia por empolgação e desespero - pois ela descreve o dia que conseguiu tirar uma foto com o Chico e uma desesperadora dor de barriga. Além disso, relembra algo da infância. Ela narra a experiência com um bom humor e o texto corre numa leveza ímpar. Dezenas de linhas escritas que se parecem com unidades. É a tal Escrita Respiração - prende e solta, respira e inspira. Segura a atenção e estimula a mente. Eu fui influenciado por ela, como não? E a prova disso é o artigo semanal entregue, misturando a empolgação com aflição - a história desenvolvida na mente e o tedioso encaixe das palavras, como um jogo de quebra-cabeças - e sem esquecer de misturar tudo isso com algo guardado na memória de infância. Vale deixar registrado que não é pretensão minha criar algo parecido com o dela, mas não custa tentar, né? Até porque só quem se arrisca consegue viver o extraordinário ou a humilhação.

Escrever faz bem, serve como libertador de ideias e, principalmente (pelo menos pra mim), como um diário atemporal. Esse artigo, apesar do título, não é o primeiro devaneio que escrevo. Tenho outras coisas guardadas em outros endereços eletrônicos (um deles, inclusive, foi desativado pelo site hospedeiro, era o com mais registros). Tá tudo guardado, inclusive a evolução, temperamento, humor e tantas emoções de quem escreve, apesar de que, por vezes, a escrita vem de algum personagem que habita na cabeça do autor. A mente que escreve mais rápido que as mãos é dividida em diversas partes. A - talvez - mais interessante é a da loucura, que por sinal, está ativa no momento, e a prova disso é que, de alguma forma, me comparei a Socorro Acioli. Por falar nisso, não sei se o texto da Socorro foi vivido por ela ou foi algo imaginado. Já o meu, com a história da criança fujona, foi sim verdade, e sigo no aguardo dos parabéns pela façanha.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Copa do mundo 2026

A Copa do Mundo 2026 acabou. Foi bacana curtir as várias fases da competição, e nem estou me referindo à chave de grupos ou aos tais "mata-matas". Gosto de tudo, como saber como as equipes estão se preparando, de ver a onda de felicidade dos jogadores convocados e da festa da torcida nas sedes. A tal contagem regressiva, tudo que envolve a competição até a bola começar a rolar.
Guardo com alegria os dias de Copa em Fortaleza, quando a cidade se tornou, em algumas vezes, o centro do futebol no mundo.

Mas vamos deixar a Copa de 12 anos atrás e retornar para a atual, que ganhou o nome de "Maior Copa de Todas", devido ao número recorde de seleções participantes: 48!
Como é feito em todas as Copas, essa experimentou algumas novas regras, e o que percebi foi uma preocupação com a cera. O tempo gasto na troca de jogadores, no tiro de meta ou no arremesso lateral sofreu alterações.
E deve ser implantado em diversas competições.

A Copa de 26 também foi a das novas palavras e frases da bolha chamada futebol: "Atacar o espaço", "bloco alto", "latereio", "impedimento semiautomático" e tantas outras tomaram conta das transmissões. Além disso, foi inserida oficialmente a "parada para hidratação", dois ou três minutos de pausa em cada tempo de jogo para os jogadores se reidratarem, isso independente de a partida estar sendo realizada num sol escaldante ou numa noite fria. Na maioria das vezes, o apito do juiz indicando a parada era acompanhado de uma sonora vaia vinda das arquibancadas. Futebol definitivamente não combina com paradas, algo que o americano, país-sede, adora.

O Brasil ficou pelo caminho; na verdade, não deixou saudades, percorreu uma estrada sem lembranças. Olhando para trás e relembrando alguns jogos, a sensação é de que a equipe não esteve bem em nenhum momento... Ok, houve lampejos aqui e ali, mas nada que marque, nada que vire memória... Aliás, qual a lembrança que teremos dessa Copa? Qual imagem ficou além do jogo da eliminação?

O torneio entregou um bom divertimento, porém apenas um punhado de jogos bons de assistir e gols bonitos. É estranho, mas a impressão que dá é que os times estão jogando da mesma forma, as características estão ficando de lado, salvo poucas exceções, como Espanha e Japão, que seguem fielmente aos seus estilos. Sinto falta da irresponsabilidade das seleções africanas, que costumava ser o motivo das derrotas. Hoje em dia, eles seguem perdendo as partidas nos últimos minutos, porém sem jogar a culpa na displicência que era tão tradicional.

A Espanha venceu. Ela veio mostrar brilho nas semifinais, quando anulou totalmente a poderosa França. O já tradicional domínio de bola espanhol não resultou em muitos gols marcados ou perdidos, longe disso, porém a defesa é algo que deve ser aplaudido e estudado: levou apenas um gol em toda a competição. Na finalíssima, neutralizou a não grata Argentina e não levou nenhum chute à meta.

A taça ficou em boas mãos.

Como essa Copa será lembrada no futuro?

domingo, 12 de julho de 2026

O padeiro morreu

 O padeiro morreu. Os pouco mais de três mil moradores do pequeno vilarejo ainda não sabiam da notícia. O vigia, que também era frentista do único posto de gasolina da cidade, foi o primeiro a descobrir. Durante a madrugada, o carro responsável pelo recolhimento do corpo parou no posto para pedir informações sobre onde ficava a padaria. O frentista custou a acreditar no que acabara de ouvir. Todos os dias, após terminar o turno, passava na padaria para buscar alguns pães quentinhos antes de voltar para casa. Naquela manhã, porém, chegou de mãos vazias. O filho mais novo iria para a escola sem tomar café da manhã. O mais velho seguiria para o açougue de estômago vazio. Foi então que um pensamento ainda mais inquietante lhe ocorreu. "Será que o açougueiro vai trabalhar hoje?" E, se não fosse, de onde sairia a carne do almoço? E o restaurante, como faria?



O padeiro morreu. Às seis da manhã, uma fila já se formava na porta da padaria. Não havia cheiro de pão quente pairando no ar, nem qualquer sinal de movimento. - O que houve? Como ele ousa atrasar tanto hoje? - perguntou a responsável pelo caixa da lotérica. Ninguém no vilarejo sabia do triste acontecimento, além do vigia-frentista. Resolveram, então, chamar o único chaveiro da cidade para abrir o portão da padaria. Enquanto isso, a fila aumentava. O entregador de água, a recepcionista do pet shop, o mototáxi, o gari, o vendedor da loja de móveis, o relojoeiro... Aos poucos, o pequeno vilarejo inteiro parecia concentrar-se diante daquela porta fechada. Alguns censuravam o padeiro. Outros não conseguiam acreditar na audácia daquele atraso. "Quem ele pensa que é?" - Era a mais educada entre tantas perguntas e reclamações que já beiravam a ofensa.



O padeiro morreu. O terminal rodoviário estava vazio. Ninguém tinha ido trabalhar. As três pequenas lojas do local - a venda de bilhetes, a lanchonete e a loja de artesanato - permaneciam fechadas. Pontualmente às 6h30, o primeiro ônibus intermunicipal entrou na cidade. O motorista estranhou o silêncio. Não havia passageiros esperando, nem funcionários circulando pelo terminal. O único passageiro que desembarcou olhou para um lado, depois para o outro. Não viu ninguém. Resolveu caminhar para casa. Antes, porém, passaria na padaria.



O padeiro morreu. O chaveiro chegou e abriu o portão. Todos se amontoaram em frente à porta quando ela finalmente se abriu. A curiosidade era maior que a impaciência. Na área de atendimento não havia ninguém. Resolveram seguir até os fornos e os maquinários. Tudo estava parado. Tudo estava em silêncio. Não havia ninguém ali, pois o padeiro morreu.


segunda-feira, 6 de julho de 2026

À Distância - Parte 1

A atenção dela estava toda voltada para o livro em suas mãos. A leitura de romances investigativos a encantava. Costumava buscar sinopses e autores conhecidos por misturar mistério e histórias sensuais. Adorava se imaginar envolvida com personagens investigadores, para ela, eram eles que costumavam receber as descrições mais interessantes. Homens ou mulheres inteligentes, bem vestidos e com um humor acima da média. Esses eram os adjetivos que mais a atraíam.


Ela estava em um shopping, sentada em um banco, aproveitando os minutos restantes da pausa para o almoço. Levantou a cabeça e passou a observar o vai e vem de pessoas à sua frente. A ideia era encontrar, entre desconhecidos, o personagem por quem acabara de se apaixonar durante a leitura. A busca foi em vão. Balançou a cabeça negativamente e voltou a atenção para o livro.


"Enfim uma pequena movimentação no quarto que ficava no prédio do outro lado da rua. Ele arregalou os olhos, com toda a atenção voltada para o ambiente quase às escuras logo à frente. Era noite, e a iluminação precária no topo do edifício onde estava servia como um excelente esconderijo para a espionagem. Colocou a câmera fotográfica diante dos olhos e, com o auxílio do zoom, passou a observar o interior do imóvel à frente. As duas janelas mostravam exatamente o que ele queria: a sala e o quarto.
O casal atravessou a sala. O homem conduzia a mulher pela mão. Ele conseguia ouvir risos abafados pelo barulho de motos e carros que transitavam na rua, três andares abaixo. O prédio antigo, localizado em uma rua pouco movimentada no centro da cidade, servia como o reduto perfeito para um casal de amantes. Pelo menos até aquele momento.
Gil mantinha a câmera totalmente direcionada para a cama, aguardando o casal. Mas nenhum sinal de movimento.


'Onde estão eles?', pensou.


Gil havia sido contratado, duas semanas antes, por uma granfina muito rica. O encontro aconteceu dentro do automóvel dela, estacionado em um parque. A conversa foi rápida e sem rodeios. Ela foi direta ao dizer que suspeitava de uma traição por parte do namorado. No carro estavam apenas os dois, no banco traseiro, e o motorista, que escutava tudo em silêncio. Gil reparou que, durante toda a conversa, o motorista não tirava os olhos da patroa, e a maneira como os dois trocavam palavras parecia diferente.

'Acho que vou espionar alguém a mando de quem deveria ser espionada', pensou Gil.


O quarto, mal iluminado por uma lâmpada amarelada e móveis escuros, não ajudava no trabalho de Gil. Muito menos o casal, que entrou no quarto, mas não foi para a cama. O tempo passava, mas Gil, um detetive acostumado com esse tipo de trabalho, permanecia com os olhos presos no local.
Então, num piscar de olhos, a mulher se jogou sobre a cama, completamente despida. A pele branca em paz com a fraca iluminação do ambiente a deixava mais sensual, com as curvas do corpo se perdendo nas sombras, um convite para um parceiro curioso. Ela exibia um sorriso largo, os cabelos pareciam molhados. Virou-se de lado, deixando as costas voltadas para a janela, não parecia se importar com o prédio do outro lado da rua. Ela conversava com alguém que permanecia fora do campo de visão.
Gil se recriminou por não ter fotografado o casal quando atravessou a sala."



Ela conferiu as horas no relógio e percebeu que tinha apenas alguns minutos.

A história caminhava justamente para o ponto de que ela mais gostava: quando o suspense da descoberta se misturava ao odor do sexo. Achou melhor terminar a leitura em casa.



Voltou a observar as pessoas que passavam de um lado para o outro até enxergar alguém de rosto familiar. Na verdade, um rosto diferente e conhecido ao mesmo tempo. Ela estreitou os olhos, num movimento de buscar, ao mesmo tempo, uma visão mais nítida e alguma lembrança esquecida. A pessoa estava um pouco distante, posicionada de lado, atenta à televisão que exibia as opções do restaurante, completamente alheia àquela observação.


Enfim o reconheceu.



De imediato, uma onda de frio percorreu todo o seu corpo. Parecia um fantasma surgindo diante dela. Mas não. Era um ex-ficante. Não o via havia mais de quinze anos. Ele estava diferente. Cabelos curtos, bem aparados, vestindo roupas claras, impecáveis e alinhadas. "Será que aquele Romeu que conheci, que usava bermudas de surfista, se transformou em um homem igual aos que imagino nas histórias que leio?", pensou.



Seu olhar percorreu toda a área ao redor dele. "Ele deve estar com alguém. Não tem como estar sozinho."



Enquanto examinava as mesas próximas, procurando alguma mulher desacompanhada, colocou em prática todo o faro investigativo que vinha adquirindo nas leituras dos últimos meses. Ao mesmo tempo, tentava lembrar por que nunca havia firmado um relacionamento sério com Romeu. Ele era aventureiro por natureza. Vivia em função de carne nova, sempre atento às novidades, como um predador farejando movimento. Não existia nela qualquer arrependimento por ter sido uma de suas presas, apesar do gosto amargo de jamais ter tido o controle da relação. O bom humor e a luxúria eram suas maiores armas. Dominava como poucos a palavra certa para arrancar um sorriso malicioso de qualquer mulher que aceitasse conversar com ele a sós. E ela havia caído naquela conversa inúmeras vezes.



Ela se perguntava se deveria ou não ir até ele. Não sabia o que fazer. Olhou-se dos pés à cabeça, mexeu nos cabelos e os colocou de lado, da maneira que ele gostava de deixá-los quando passava os dedos suavemente por eles. Ajustou a camisa por dentro da calça e puxou o blazer um pouco mais para a frente. Naquele momento, agradeceu por sua farda ser escura, deixando-a mais magra.


Ele começou a caminhar em direção a ela, porém ainda não a tinha visto. Ela se levantou e passou a caminhar em direção a ele, mas resolveu desviar o olhar. Os dois se cruzaram. Logo depois, ela ouviu a voz dele perguntar:


- Cris?


Ela se virou, fitou-o e respondeu um "sim", como se estivesse falando com um estranho. Ele a olhou e perguntou novamente se o nome dela era Cris.


Iniciou-se, então, o diálogo tradicional de duas pessoas que acabavam de se reencontrar depois de muitos anos. Enquanto conversavam, ela estudava cada palavra e gesto dele, tentando descobrir sua situação amorosa. Radiante, percebeu que ele não usava aliança.


- Que maravilha te reencontrar! - disse ele, abrindo um largo sorriso. Cris não se segurou e resolveu abrir a porta do passado. - Sim. É interessante que, mesmo depois de tanto tempo, parece que estamos apenas continuando uma conversa que tivemos na semana passada, e não há mais de quinze anos.


- Verdade. - respondeu ele.


- Eu adorava as nossas conversas. - Ela chutou o balde e apostou tudo.


- Não me leve a mal, mas confesso que gostava ainda mais de como elas terminavam. Ou melhor, era sempre prazerosa a maneira como encerrávamos as nossas conversas.


- Pelo jeito, o tempo não passou, né, Romeu? Você continua o mesmo.


- Nós, Cris. Nós.



Eles estavam pegando fogo. As mãos estavam inquietas e os risos, fáceis. Tudo ali, em meio à multidão que passava de um lado para o outro. Mas eles só conseguiam ouvir um ao outro, vivendo a magia de poder voltar no tempo.


Ela o puxou para um abraço e sussurrou ao ouvido: Quero te ter hoje à noite. Às dez estarei livre.



Eles estavam juntos novamente. Após quinze anos, estavam prestes a reviver a química, ir contra a lei da física e ocupar o mesmo lugar no espaço, mostrar que, na matemática, um mais um às vezes resulta em sessenta e nove e que, na língua portuguesa, palavras sujas aceleram a respiração, despertam a força dos movimentos e transformam o suor dos dois corpos na energia necessária para repetir tudo aquilo sem pensar em parar.



Romeu deu um beijo inocente na face de Cris e disse: Antes das dez estarei aqui te esperando.


quarta-feira, 17 de junho de 2026

No Code do Pearl Jam em minhas lembranças

Hoje vi, em uma página do Instagram, uma pessoa ranqueando as músicas do álbum No Code, do Pearl Jam. A lista com as 13 músicas foi organizada de acordo com o gosto pessoal da moça responsável pelo perfil. No vídeo, as músicas vão surgindo na sequência do disco e ela vai revelando a posição de cada uma. De cara, me chamou atenção perceber que ela classificou Sometimes como a décima segunda colocada, ou seja, a penúltima 0_0 Mas aquela era a lista dela, e não a minha.

Após isso, as músicas seguem aparecendo e ela vai classificando cada uma delas. Foi então que percebi o quanto esse disco foi - e ainda é - importante para mim.

O quarto disco deles, lançado em 1996, foi o primeiro disco do Pearl Jam que eu comprei. Sim, isso mesmo. Vale registrar que o Ten, álbum de estreia da banda, eu tenho desde o lançamento, porém não o comprei, mas sim tomei do Paulo Cabeça.

Pois bem, voltando ao No Code...

Na época, vi uma crítica em alguma revista dizendo que o Pearl Jam tinha lançado um disco diferente dos dois trabalhos anteriores (Vs. e Vitalogy) e resolvi descobrir qual era essa tal diferença. Suspeito que eu não tinha nada em que me basear para imaginar a sonoridade do novo trabalho, haja vista que, na época, o PJ seguia sem lançar videoclipes e sites com streaming eram algo de um mundo desconhecido do futuro. No planeta em que vivíamos, a música era consumida em CDs, vinis ou rádio.

Havia uma loja em um shopping que era o único lugar onde se encontravam as grandes novidades do rock. O shop era distante e, na semana em que fiquei sabendo que eles já estavam com o disco, a Adelana comentou comigo que iria até lá. Foi das mãos dela que recebi o No Code. Ouvi o disco algumas vezes e o guardei. Guardei por alguns meses. O álbum não me agradou de imediato.

Após esses meses de mofo, resolvi dar uma segunda chance ao CD e, enfim, veio o arrebatamento. As treze canções se transformaram, ganharam força e forma.

Gosto de lembrar dessa época, de como tudo foi se moldando, daquela Adelana que me entregou o disco e que, anos mais tarde, tatuou um trecho da letra de Hail, Hail na pele. Gosto de recordar das tantas revistas das quais fui assinante e da forma como elas ajudaram a moldar algumas das minhas escolhas e gostos. Da execução de Off He Goes no violão por uma pessoa quando eu e Adelana fizemos nossa primeira viagem para fora do estado, provavelmente em 97 ou 98, para o Piauí.

Gosto de lembrar também de anos mais à frente, quando Around The Bend se transformou na canção de ninar que surgia em minha cabeça enquanto eu colocava Pablo para dormir.

Gosto de lembrar de tudo que envolve esse disco, e perceber que Off He Goes é a única musica do PJ que me vejo a cantar em um karaoke da vida.

Gosto de ouvi-lo. De quando ele me pergunta quem eu sou. Da forma triste como me faz perceber que, às vezes, os amigos não conseguem nos ver. Gosto da maneira como ele me fala para aproveitar o momento presente, do quão grande é Deus e de que devo andar na linha, pois o diabo está rodeando, à espera.

Gosto da magia do destino que foi ter recebido esse álbum das mãos da Adelana e justamente nele estar a “nossa” canção.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Na Natureza Selvagem, de Jon Krakauer - Livro atual


Resolvi fazer pequenas anotações dos livros que eu vier a ler daqui para frente. Essa vontade surgiu depois que percebi que alguns romances que li há muito tempo, e sei que foram marcantes para mim, mas não lembro bem da história. É estranho, e isso me incomodou um pouco.

Além de um pequeno resumo do livro, vou deixar registrado também como tem sido meu dia a dia durante o tempo em que estive envolvido com aquela determinada leitura. Uma espécie de diário.

E o primeiro é: Na Natureza Selvagem, de Jon Krakauer.

Esse livro ganhei do Tiago Camelo há alguns anos, justamente em uma época em que não estava dando muita bola para leitura. No começo de 2026, resolvi começar a estar com ele no dia a dia. A leitura demorou, mas não foi cansativa. Eu já tinha visto o filme e, inclusive, tenho o DVD.

Na Natureza Selvagem conta a história de Christopher McCandless, um jovem que resolve se despir de tudo que estava relacionado a dinheiro e passa a viver como um nômade, viajando pelo interior dos Estados Unidos, fazendo bicos e indo de um lugar para outro.
O objetivo principal dele é conhecer e passar um tempo no Alasca, isolado de tudo e de todos. Viver da terra, como um animal.
A história é bem contada. Nela, o escritor e jornalista conseguiu criar uma linha do tempo dos dois anos em que McCandless perambulou pelo país, recorrendo aos diários deixados pelo próprio McCandless e às entrevistas com pessoas que cruzaram seu caminho durante essa jornada.


Levei uns dois meses ou mais para finalizar a leitura. Não lembro quando comecei, mas o momento em que a finalizei foi especial, pois estava em uma viagem a Icaraizinho, no início de Maio.



Bom, esse foi o primeiro livro que deixei registrado em um pequeno resumo.

Até o próximo.

Postagens mais visitadas

  © Blogger template 'Perfection' by Ourblogtemplates.com 2008 e revisto por Tarso Marques

Voltar ao topo da p�gina