Hoje enviei a minha bike para ficar exposta em uma loja, para ser vendida. Na verdade, já existe uma pessoa interessada nela, e foi justamente por isso que a levei até lá: para que essa pessoa pudesse vê-la de perto.
Espero que seja adquirida. Definitivamente, aquela bicicleta não foi feita para ficar parada.
Ela representa uma fase da minha vida da qual gosto de lembrar, quando o vento batia forte no meu rosto, fruto das minhas próprias forças, seja pedalando ou correndo. Quanto mais eu me esforçava, maior era o vento. Falando assim, parece que isso aconteceu na minha infância ou adolescência… mas não. Não foi tão longe assim. Apenas 10 anos me separam disso tudo.
Não é algo distante, nem impossível de reviver, mas, para isso, eu precisaria, de certa forma, “renascer” naquele outro eu de pouco mais de 10 anos atrás.
Sempre fui de praticar esportes. Futebol e bicicleta estão muito presentes nas minhas memórias. Vários lugares da minha cidade, por onde passo ou que ouço alguém citar, imediatamente me trazem lembranças, eu jogando bola ou passando por ali de bicicleta.
Antes da bike que hoje coloquei na traseira do carro, tive outra. Comprei com a ideia de ir trabalhar nela e fazer alguns passeios aleatórios. E foi exatamente isso que fiz. Com o tempo, percebi que poderia investir um pouco mais e ter uma bicicleta com melhor tecnologia: peças mais leves, melhor desempenho, mais aerodinâmica.
Durante essa busca, a bike que hoje estava sobre o carro parecia um sonho distante. O valor era alto, e ela chamava atenção por onde passava… “e se eu for assaltado?” - esse era um pensamento que sempre me incomodava. Mesmo assim, depois de semanas procurando, eu comprei. Por três anos, ela foi meu meio de transporte para o trabalho - inclusive em dias de chuva. Claro que também foi minha parceira em vários passeios. O mais inesquecível? Fortaleza - Pecém.
Depois da mudança de Fortaleza para o Pecém, passei a pedalar menos. E isso aconteceu antes mesmo da inauguração do Lounge, então não posso colocar a culpa na minha rotina atual. A verdade é que a rotina de hoje é fruto de quem eu sou agora - e tenho plena consciência disso. E, como eu disse antes, para voltar a ser aquela versão mais ativa, depende exclusivamente de mim.
Pedalar, correr, nadar, ir à academia… tudo isso fez parte da minha vida de forma constante por cerca de quatro anos. Tenho várias histórias desse período, e o melhor: sem aperreios. Eram momentos com começo, meio e fim felizes.
Fui inspiração. Várias pessoas se juntaram a mim. Criamos um grupo de natação no mar. Outros compraram bicicletas. Alguns começaram a correr. Passei a encontrar amigos na academia. Eu sei o quanto tudo aquilo me fazia bem. Os momentos ligados ao esporte reuniam tudo: a energia da academia, as parcerias, o prazer solitário de pedalar, e também o meu eu quando estava nadando ou correndo. Eram momentos de bem-estar, de corpo e mente.
Deixei tudo isso para trás. E sinto falta.
A ida da bike hoje escancarou isso.
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