quinta-feira, 14 de maio de 2026

Dias especiais

Tirei uns dias para descansar. Resolvi viajar e dar uma colher de chá - ainda que não total - para o lado da minha cabeça dedicado ao trabalho. A ideia tem funcionado bem. Até então, posso bater no peito e dizer: sim, essa viagem será lembrada como a viagem do repouso.
Talvez eu esteja enganado, mas não me lembro de outras viagens em que tenha passado boa parte do tempo deitado ou simplesmente no local onde me hospedei.
As viagens costumam se transformar em períodos nos quais ando muito, vivendo em zigue-zague por lugares que despertam a curiosidade do meu eu turista. Gosto disso. Gosto de me mover, visitar os pontos turísticos e, dependendo do local e da distância, opto por caminhar.

Os dias “off” são poucos. Pouquíssimos, na verdade. Cabem nos dedos de uma mão, e sendo sincero, talvez nem isso. Ainda assim, possuem um valor tremendo.

Escolhemos uma praia para os dias de descanso. O curioso é que moramos em uma praia, e os dias de lazer também acontecem em outra praia.

O pôr do sol no dia em que chegamos foi arrebatador. Um “bem-vindo” especial. O brilho amarelado que surgia no horizonte, por trás das dunas e das estruturas das turbinas eólicas, preenchia todo o ambiente. A luz do sol, que aos poucos desaparecia, marcava o chão duro e ainda molhado da praia.
A mudança da maré alta para a baixa é a que mais aprecio. Além de nos presentear com a calmaria das ondas, ela revela a faixa de areia dura que, até poucos minutos antes, estava sob o vai e vem do mar. Essa parte permanece coberta por uma fina lâmina d’água.
Para os apreciadores dos últimos momentos do sol do dia, isso é um bônus: o resultado é um imenso espelho no chão.

Ir à praia com tempo de sobra é saboroso. Carrega uma doçura leve, no ponto ideal, daquelas que nem o mais paranoico adepto de um regime rigoroso seria capaz de vetar. Uma maravilha agridoce, misturada ao sal presente na água e no ar.
É aquele sal que parece curar tudo. Que alivia e rejuvenesce a mente. Lava o corpo e a alma simultaneamente.

Tivemos dois dias de sol e dois dias de chuva. Os dias de sol poderiam ser chamados de “dias das cores”, porque neles tudo transborda e brilha. Tudo ganha vida em forte saturação. E, quando digo “tudo”, me incluo também, pois rapidamente troco a capa pálida que carregava por uma pele bronzeada e viva.
Estranhamente, foi justamente em uma manhã de sol e céu azul que finalizei a leitura de um livro. Deitado em uma preguiçosa sob a sombra, ao lado da piscina, interagindo vez ou outra com as pessoas que me acompanhavam nesses dias especiais.

Dias especiais e inesquecíveis.

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