terça-feira, 25 de agosto de 2026

(re)iniciando os artigos semanais

Sempre tive uma inveja branca de quem consegue escrever artigos semanais sobre diversos assuntos. Viu, viveu, sentiu ou sei lá o que mais? Vira registro de fácil leitura. Tudo conta e vira histórias. Outro dia, uma pessoa me disse que eu deveria, sim, pensar no assunto, me debruçar sobre a tela branca e escrever sobre temas livres. É quase um cheque em branco que ela me passou. Levei o conselho como um baita elogio e cá estou eu, (re)iniciando algo que provavelmente não conseguirei manter por muito tempo. E digo isso não por achar que faltará assunto, mas sim por saber que a mente escreve mais rápido que a mão, e isso atrapalha a magia do improviso da primeira vez. Esse texto, por exemplo, já ganhou umas quatro versões, todas elas no pensamento. Tenho que ir devagar com a dor, que o Santo é de barro. Ontem mesmo, dia 11 de agosto, pensei em contar a história que vivi quando estudava na escola (de nome 11 de Agosto). Eu deveria ter uns 6 anos ou menos e ficava sempre a esperar meus pais irem me buscar no colégio. Um belo dia, após uma longa demora deles, percebi que era o único aluno trancafiado no portão da escola. Resolvi, então, aguardar o momento de descuido da “Tia” e ganhar o mundo. Quer dizer, a ansiedade atormenta as mentes humanas desde a infância. Saí do colégio e fiz o trajeto até em casa. Na rua, todos me olhavam. Eu me sentia importante, na minha cabeça, caminhava triunfante como um adulto, porém no corpo de um pivete. Cheguei em casa e não tinha ninguém lá. Mais uma vez, estava diante do portão fechado. Um tempinho depois, meus pais chegaram. Até hoje aguardo os cumprimentos deles pelo feito que realizei. Houveram palmas, mas não de parabéns. Tem outras lembranças daquela escola, mas isso vou aguardar para o próximo 11 de agosto.

Esse texto é o pontapé do projeto. Resolvi batizá-lo como ‘(re)iniciando os artigos semanais’ - apesar de que já me aventurei por esse caminho antes - e tenho que admitir que, por um breve momento, pensei em ‘Piloto’, mas daí me toquei que seria muita pretensão e cafonice da minha parte. A falta de criatividade começa antes da primeira linha, pois o nome é bizarro. Socorro! Por falar em Socorro, o artigo semanal da Acioli na Folha de São Paulo ganhou um nome interessante: “Chico Buarque em Paris e a pior dor de barriga da minha vida”. Como não ter curiosidade para ler algo com essa isca? O artigo dela passeia por empolgação e desespero - pois ela descreve o dia que conseguiu tirar uma foto com o Chico e uma desesperadora dor de barriga. Além disso, relembra algo da infância. Ela narra a experiência com um bom humor e o texto corre numa leveza ímpar. Dezenas de linhas escritas que se parecem com unidades. É a tal Escrita Respiração - prende e solta, respira e inspira. Segura a atenção e estimula a mente. Eu fui influenciado por ela, como não? E a prova disso é o artigo semanal entregue, misturando a empolgação com aflição - a história desenvolvida na mente e o tedioso encaixe das palavras, como um jogo de quebra-cabeças - e sem esquecer de misturar tudo isso com algo guardado na memória de infância. Vale deixar registrado que não é pretensão minha criar algo parecido com o dela, mas não custa tentar, né? Até porque só quem se arrisca consegue viver o extraordinário ou a humilhação.

Escrever faz bem, serve como libertador de ideias e, principalmente (pelo menos pra mim), como um diário atemporal. Esse artigo, apesar do título, não é o primeiro devaneio que escrevo. Tenho outras coisas guardadas em outros endereços eletrônicos (um deles, inclusive, foi desativado pelo site hospedeiro, era o com mais registros). Tá tudo guardado, inclusive a evolução, temperamento, humor e tantas emoções de quem escreve, apesar de que, por vezes, a escrita vem de algum personagem que habita na cabeça do autor. A mente que escreve mais rápido que as mãos é dividida em diversas partes. A - talvez - mais interessante é a da loucura, que por sinal, está ativa no momento, e a prova disso é que, de alguma forma, me comparei a Socorro Acioli. Por falar nisso, não sei se o texto da Socorro foi vivido por ela ou foi algo imaginado. Já o meu, com a história da criança fujona, foi sim verdade, e sigo no aguardo dos parabéns pela façanha.

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